"Otimismo é esperar pelo melhor. Confiança é saber lidar com o pior." Roberto Simonsen

quarta-feira, 30 de outubro de 2024

As Constelações expõem o fenômeno da própria vida

 As Constelações expõem o fenômeno que se apresenta na vida, mas que, no dia a dia, nem sempre fica tão evidente. É uma sabedoria, um conhecimento que está no mundo, que pode ser descoberto pelas pessoas. Está à disposição de quem tem olhos para ver. E Bert Hellinger o percebeu de forma muito clara.


A partir disso, ele sintetizou as leis dos relacionamentos em três leis básicas, que explicam o que promove o equilíbrio em qualquer relacionamento, e também o que causa conflitos, desequilíbrios e transtornos.


Quando se coloca um representante no lugar de uma pessoa, ele mostra alguma dinâmica oculta que nem a própria pessoa estava vendo.


Por exemplo, uma pessoa disse: “Eu vivo brigando com essa pessoa, pois a gente não se suporta. Eu tenho raiva e não consigo me separar. Para piorar, o processo de divórcio não termina.” Porém, quando colocamos os representantes do casal, eles ficaram lado a lado, bem juntinhos, se olhando com amor.


Por que o conflito não se resolvia? Porque eles não queriam se separar. Afinal, na verdade, ainda se amavam, mas não podiam admitir. Certamente existiam mágoas, rancores, e tratava-se de um amor desequilibrado, como tantos outros. Mas a Constelação revelou o que estava por trás daquele conflito.


A Constelação revela que por trás da raiva e da violência existe uma dor profunda. Muitas vezes, por um amor que alguém não conseguiu realizar em relação a uma pessoa da sua família, em relação ao pai, à mãe, ao avô, ao tio, ao irmão, e não sabe lidar com essa dor, então a encobre, reproduzindo o padrão dessa pessoa que foi excluída, que foi julgada, e que ela mesma rejeita.


Quando colocamos uma pessoa violenta numa Constelação, às vezes ela se mostra como uma pessoa triste, mostra um profundo vínculo com alguém que morreu. Então essa pessoa chora.


Com isso, aquele com quem essa pessoa está em conflito, que estava querendo vingança, que vinha condenando-a, achando um absurdo o que ela fez, de repente tem acesso, através da Constelação, a uma realidade profunda que não estava sendo vista.


As partes, assim, atenuam seus julgamentos, e se reconhecem como seres humanos, com as suas fragilidades.


(Texto extraído do curso online Direito Sistêmico e as Constelações Familiares na resolução de conflitos, com o Dr. Sami Storch)


“Eu quero (e não quero) prosperar!”

 A boa consciência dá uma sensação de segurança, de pertencimento. Cada vez que a pessoa coloca em risco o seu pertencimento, se sente culpada, insegura, com medo.


Se, por exemplo, o filho vem de uma família onde tradicionalmente as pessoas são doentes, deprimidas ou frágeis, e ele quiser se distanciar disso, sendo saudável, se sentirá culpado.


Imagine a pessoa chegando na sua família, e encontrando todo mundo se queixando da saúde: “as minhas costas estão mal”, “a minha pressão está alta”... aí chega a vez dele falar: “a minha saúde está ótima”. Ele se sente culpado ao falar uma coisa dessas.


Então, para se ajustar, para se adequar ao seu meio, a pessoa assimila aquilo que está reinando nesse meio... Em uma família com pessoas doentes, o filho tende a procurar uma forma de adoecer. Ninguém dirá “eu quero adoecer”, mas, inconscientemente, se sente chamado a ter uma doença para se igualar aos outros, para não se sentir culpado.


Outro exemplo, no âmbito financeiro: a pessoa cresce em uma comunidade financeiramente muito pobre, onde as pessoas têm as dificuldades típicas da pobreza. Sua família é daquele meio, todos têm dificuldade para pagar as contas, não podem ter luxo, por causa da escassez.


E então essa pessoa diz “eu quero prosperar, eu tenho o direito de prosperar, depende de mim”. Ela acredita nas pessoas que dizem que é possível prosperar.


Mas, no momento em que começa a prosperar, ela se sente culpada, por se distanciar daquele padrão onde vive. Se ela comprar um tênis legal, se ela comprar um carro legal, irá destoar, não se sentirá bem naquela comunidade que tem como sua, de sua origem.


Então o que ela faz? Ela precisa romper, ir embora, e se conectar a um campo onde as pessoas podem ter um carro bom. Mas, mesmo assim, ela se sentirá muito culpada. Ela se sentirá distante, se sentirá como uma traidora. Essa é a má consciência que ela sente.


Ela não está fazendo nada de errado, mas sente que está se distanciando da sua origem, da sua família, do seu grupo, e esse sentimento é vivenciado como uma culpa. É um sentido primário de sobrevivência.



(Texto extraído do seminário online A boa e a má consciência, com o Dr. Sami Storch)